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História

O proprietário da pousada, Manuel Jesús G. Noriega, saiu de Asturias, sua terra natal, fugindo do Serviço Militar obrigatório, no ano de 1977. Depois de um acidentado périplo, sempre indocumentado, pelos diferentes países americanos, chegou ao Brasil. Sua primeira etapa foi um ano de parada e estupor, no México mágico, entre o terror e a maravilha; depois vieram sete meses inesquecíveis às margens do lago Atitlán, nas fraldas do vulcão que os índios quichés adoravam, entre as montanhas encantadas de Guatemala, a terra de mil cores. Viagens pelas costas de Honduras, das ruínas Mayas de Copán até os lagos da Nicaragua, entre as balas dos somozistas ( de tão triste lembrança!!) e as pedras dos heróicos sandinistas. 

Passeando estupefato diante das vitrines das lojas do Canal de Panamá, decidiu embarcar num avião para Sudamerica. Um ano selvagem e inesquecível em Colombia, no ParqueTayrona, às margens do maravilhoso mar Caribe, no rio La Miel, na Dorada, entre as montanhas de Tierradentro, surcando o rio Putumayo, já na selva imensa, em um barco de carga, ou numa canoa, rio adentro. Amazonas, terra sem fim. Dias e dias que se sucediam a um ritmo vertiginoso. Iquitos, um avião, um trem, um ônibus e no lombo de uma mula, três dias depois, já frente à Cordilheira Branca, aos pés do Alpamayo, a mais de seis mil metros de altura.

Seguiram-se três anos alucinantes no Vale Sagrado dos Incas, entre Cuzco e Machu-Pichu, viagens ao rio Madre de Dios, nos arredores do lago Tiiticaca, pela alturas sagradas dos incas, por onde voa o cóndor e o mistério ancestral. Bolívia, as ruínas do templo do sol de Tihuanaco , as selvas aguerridas que rodeiam Trinidad, as montanhas nevadas, as plantações de coca que circundam Coroico, as ruinas do Observatório Hidrológico, entre Cochabamba e Santa Cruz, o trem da morte, um pantanal imenso e indescritível, e no fim dum ônibus infinito, uma cidade encantadora, Salvador da Bahia, e uma mulher feiticeira. O amor ns praias de Arembepe, na aldeia hippie, um veleiro ao vento, Aracajú, Recife, Fortaleza, navegando, navegando, quinze dias de maré mansa em alto mar, e, por fim, um vento milagroso e já na Ilha do Diabo, aquela do presídio de Papillon, na Guiana Francesa. Seis meses plácidos de vela no Caribe, Trinidad, Tobago, Grenada, as idílicas ilhas grenadinas, St. Vincent, Sta. Lúcia, problemas com a polícia de imigração e assim num dia na cadeia e noutro já náufrago em Venezuela, sem passaporte, sem destino, sem uma moeda no bolso. Os Andes de Venezuela, de novo a Cordilheira Sagrada, Azurita, San Agustín. Andes intermináveis; cavalgando-os, chegou a Equador.

De Otavalo, as praias pacíficas de Atacames, negociando antiguidades precolombianas em Huancayo, e de novo, em Cuzco, no Vale Sagrado dos Incas, em Pisac, em Taray, umas semanas de repouso, para ver nascer sua filha, Maria Saeta, e de volta a Bahia, enfeitiçado pela beleza das praias de Arraial de Ajuda. De repente, a sempre triste separação, e de volta sozinho à Patagônia, para ver velhos amigos, à Chapada dos Guimarães, à Itália, Veneza, Florença, Roma e Nápoles. Dando voltas pelo Museu do Vaticano, voltas e voltas e outras tantas voltas depois,  um dia pousou em Santo Antonio do Leite, cansado de tanto andar sem rumo, organizou uma oficina de artesanato em prata, comprou um pedaço de terra nas redondezas e começou a plantar, a cercar, a criar um ambiente, a recriar uma paisagem, um amor, Anna Terra e uma familia, com a vinda ao mundo de outros dois filhos abençoados, Juan Narowé e Gabriel.

Construiu sua casa, que se queimou em um incêndio avassalador. Construiu-a de novo. O jardim crescendo, cada vez mais galinhas, mais coelhos, mais flores, mais frutas, parecia que a barriga da terra iria explodir.

E, um dia, de repente, explodiu. Assim nasceu, no dia 01 de janeiro de 1999 o Capricho Asturiano.